Entre 2012 e 2018, a população que se declara preta no País saltou de 14,5 milhões de pessoas para 19,2 milhões. Um aumento de 32,1%.



Já o número dos que se identificam como pardos pulou de 89,6 milhões em 2012 para 96,7 milhões de pessoas em 2018, segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado nesta quarta-feira (22). Não há nada de "minoria" aí e essa virada é um ato de resistência. 

Não é nada fácil ser preto ou pardo no Brasil, populações que são maioria entre pobres, encarcerados e iletrados. Ser preto no Brasil é estar na mira de um racismo estrutural, esse da pior espécie, que se reveste de piada e gera pré-julgamentos em inúmeras atitudes e atividades apenas pela cor da pele.

Fugir dessa identificação era quase um escudo, como se se autodeclarar branco fizesse sumir todo um histórico de violência e falta de oportunidades. Infelizmente aqui a miscigenação sempre foi celebrada como forma de "clarear a raça", revelando o racismo embrenhado na mente do brasileiro. Mas essa situação, enfim, parece estar mudando. 

O aumento daqueles que se identificam como pretos mostra que, em vez do medo desse preconceito, as fileiras dos dispostos a lutar contra esse massacre social estão fortalecidas. De atitudes simbólicas, como assumir o cabelo natural — algo que vem sendo feito especialmente por mulheres pretas e pardas —, à possibilidade de ingressar em universidades e ocupar espaços profissionais antes tão restritos, o orgulho pela própria negritude se espalha, ganhando força e vozes. 

Ninguém mais está disposto a aguentar um tratamento diferente só pela cor. Admitir que é preto ou pardo é uma forma de demonstrar que não haverá nenhum recuo de espaços já ocupados e direitos conquistados. É ir pra cima mesmo, bater no peito e enfrentar todas as barreiras de cabeça erguida.

Tomara que seja um movimento sem volta e que cada vez mais brasileiros assumam suas raízes e possam ter orgulho de ser preto ou pardo. Demorou! #tamujunto
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