“Não matei porque não quis”, diz mulher que torturou amiga



A sessão de cortes com garrafa de cerveja quebrada teria ocorrido em uma comunidade dominada pelo tráfico em Rio Largo, Região Metropolitana de Maceió

Após ser presa em São José da Laje pelo crime de tortura contra uma amiga, Nathália Talita da Silva, de 19 anos, afirmou que teve “muitas oportunidades para matar” a vítima, mas não o fez “porque não quis”. A prisão dela ocorreu nesta terça-feira (2), uma semana depois de o vídeo em que a mostra torturando e tomando o sangue da amiga viralizar nas redes sociais.

O crime chocou a população alagoana pela crueldade com que ocorreu. Nathália rasgou a roupa da vítima, feriu-a com garrafa de cerveja e prato quebrados e tomou o sangue da amiga enquanto a puxava pelos cabelos. A sessão de tortura teria ocorrido em uma comunidade dominada pelo tráfico em Rio Largo, Região Metropolitana de Maceió. O motivo teria sido uma traição da agredida que foi flagrada fazendo sexo no banheiro com o marido da agressora.


Natália Talita da Silva estava escondida na casa de uma avó em São José da Laje. Ela estava com o companheiro, o pivô da tortura. Foto: Cortesia

“Senti muita raiva no momento. Provei o sangue dela só para sentir o gosto mesmo, pra ver se ela é diabética”, ironizou a agressora. “Ela queria estar certa, veio me agredir, não é assim não. Minha mão ainda está cortada. Ela veio para cima de mim, eu fui para cima dela. Claro que eu não iria deixar. Ela, além de estar errada, ainda veio bater em mim, não pode isso não”, afirma Nathália, enfatizando que tinha utilizado uma droga conhecida como Rohypnol, remédio tranquilizante, considerado um entorpecente pela polícia quando misturado a outras drogas.

Apesar de confessar que usou a droga, ela afirma que estava consciente de tudo. “Não fiquei com efeito do remédio, não. Ali [momento da tortura] eu estava normal”, conta. De acordo com ela, houve oportunidades para matar a amiga, mas não fez porque não quis. “Eu tive muitas oportunidade, não matei porque não quis. Se quisesse cortar a língua dela, teria cortado”, diz, confessando que rasgou a roupa da vítima e a deixou nua. “Ela tava do jeito que nasceu, melada de sangue. O que tem de bonito não é para se mostrar, bebê?”, ironizou mais uma vez.

Em entrevista à TV Ponta Verde, a mãe de Nathália, Josivânia Félix, diz estar abalada com o que aconteceu e que não esperava uma atitude cruel da filha. Ela afirmou que a filha procurou se esconder em sua casa, mas não concedeu o abrigo. “Fiquei muito mal, comecei logo a chorar. Não consegui ver tudo [conteúdo do vídeo]. Ela não mora comigo porque o rapaz que moro com ele não gosta de problema. Quando ela chegou em casa, a gente não quis ela lá. Aconselhei para que ela se entregasse e ela disse que iria fugir”, conta a mãe.
Prisão

Nathália foi presa pela Polícia Militar em São José da Laje na Zona da Mata alagoana. Ela estava em companhia do namorado, que teria sido o pivô da briga. Os dois se esconderam na casa da avó da Nathália, que, ao descobrir o envolvimento dela com o crime de tortura, saiu de casa. Ele, que tem 16 anos, foi apreendido. Ela foi conduzida para a Delegacia de Rio Largo.
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