Um motorista do aplicativo de transporte 99Pop se negou a fazer uma corrida em Manaus, no último domingo (10), alegando não gostar de atender passageiros homossexuais. O passageiro vítima de homofobia, um cabeleireiro e maquiador de 29 anos, registrou Boletim de Ocorrência (B.O.) sobre o caso no 3º Distrito Integrado de Polícia.

Na madrugada de domingo, por volta de 00h37, o rapaz que preferiu não se identificar solicitou uma corrida por meio do aplicativo. Na ocasião, o rapaz sairia do bar 161, situado na Avenida Simão Bolivar, no Centro, com destino a uma boate na mesma região da cidade, para encontrar amigos.


Na conversa que teve por mensagem com o motorista designado pelo aplicativo para atendê-lo, o condutor, identificado como Fredson, pergunta se o passageiro está no bar. Ao receber a confirmação do cabeleireiro, automaticamente o homem se nega a buscá-lo.

“É viado não, né? Não curto fazer corrida para viado não, beleza. Melhor tu cancelar por aí. Pede outro”, diz por mensagem o motorista. A vítima relatou que naquele momento sentiu medo e teve uma crise de choro.

“Depois que li aquelas mensagens, ainda fiquei pensando se pediria outro carro. Pelo aplicativo pude ver que o carro dele estava à 400 metros de mim. Temi pela minha vida”, complementou o cabeleireiro que cancelou a viagem após a conversa.

O rapaz solicitou um segundo carro pelo mesmo aplicativo. Segundo ele, ainda nervoso, contou ao segundo colaborador da 99 o que tinha acabado de acontecer. “Ele repudiou totalmente a atitude do colega. Inclusive, me apoiou. E não concordou com a ação de negar corrida para alguém só porque a pessoa é homossexual”, declarou o cabeleireiro, que registrou o B.O na segunda-feira (11).

“Como no Brasil a homofobia ainda não é crime, na delegacia tipificaram como injúria. O caso foi transferido. Na quinta-feira (14), comparecerei ao 24º DIP para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido. Eu procurei o escritório da 99 aqui em Manaus, localizada na Avenida Ephigênio Salles, e no lugar não fizeram nada. O atendente só me entregou um número e um e-mail para entrar em contato”, disse.

Demora na resposta

O cabeleireiro enviou um e-mail para a empresa com a imagem da conversa com o conteúdo homofóbico, bem como, o B.O. A demora na resposta fez com que o rapaz ligasse para a central. “Só depois que eu liguei que a atendente foi abrir o meu e-mail. Ela disse que a empresa irá tomar as providências e, aproveitou, para dizer que esse tipo de comportamento não é compatível com a 99. Depois disso não tive retorno de mais nada”, frisou.

Questionada na rede social Twitter por um dos amigos do cabeleireiro, a 99, por meio do seu perfil oficial afirmou que já tomou providências sobre o caso. “Olá! Nós lamentamos profundamente essa situação e gostaríamos que soubesse que já estamos atuando em relação ao ocorrido, para evitar que este episódio se repita”, diz a 99 em um de seus tweets (veja respostas abaixo).



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