Mais de 37 litros de cerveja foram consumidos pelo major da Polícia Militar Lurdenilson Lima de Paula, o sargento Edizandro Santos Louzada, 30, o cabo Grasiano Monte Negreiros, 36, o tenente Joselito Pessoa, além do borracheiro Robson Almeida Rodrigues, 25, antes da tragédia que terminou com as mortes de dois dos PM’s na madrugada do último sábado. 

A bebedeira começou no final da tarde de sexta-feira, nas dependências da 18ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), no bairro Novo Israel, na Zona Norte, passou pelo mercadinho “Jesus Me Deu”, no bairro Manoa, pelo bar Alambique, no Tarumã, e terminou nas proximidades do bar “Chaplin”, no bairro Colônia Santo Antônio.

O resultado final de tanto álcool foi a morte do cabo Grasiano e do sargento Edizandro. O major e o borracheiro ficaram feridos, mas o tenente Joselito, apontado como autor do crime, alega que não lembra o que aconteceu.

Alucinação?

Depois de ter retomado a consciência, Joselito declarou aos seus advogados, Mário Vítor e Mozarth Bessa, que estava de férias desde o dia 1º de janeiro, quando recebeu uma ligação, às 17h54, do seu comandante, o major Lurdenilson, chamando-o para ir até a Cicom. 

Ao chegar na companhia, ele se deparou com um festival de cerveja, pois o major comemorava a sua promoção que saiu no dia 25 de dezembro. Na Cicom, eles beberam aproximadamente 40 cervejas. depois, por volta das 21h15, eles foram para a mercearia Jesus Me Deu, de propriedade do cabo Graziano. Na sequência, chegou o borracheiro que se juntou ao grupo e eles consumiram mais dez caixas de cerveja.

Conforme o depoimento do borracheiro Robson, o grupo saiu da mercearia por volta da meia noite em um Voyage, que é uma viatura descaracteriza da PM. Os policiais estavam armados com pistolas calibre ponto 40, também pertencentes à corporação. Eles seguiram para o bar Alambique, mas foram impedidos de permanecer no local pelos seguranças da casa. 

O quinteto saiu com um balde de cerveja com dez unidades e pretendia continuar a bebedeira no bar Chapolin, na Zona Norte, porém, antes de chegar aconteceu a tragédia. O borracheiro disse que Joselito surtou, sacou a arma e atirou nos colegas. Para os advogados, o tenente disse achar que estava sonhando estar em uma guerra e, quando deu conta de si, Robson estava em cima dele dizendo: “Ei, tu matastes os caras”.

Sem recordação

Os policiais beberam cerca 37 litros de cerveja em cinco horas. Conforme o advogado Mario Vitor, o estado de embriaguez de Joselito era tão intenso que, 48h depois, ele ainda estava embriagado e que só recorda o que aconteceu até quando o grupo saiu da mercearia Jesus me Deu.

'Ainda há lacunas para serem esclarecidas', dizem advogados

Tanto para os advogados quanto para a polícia ainda há muitas lacunas para serem explicadas. Uma delas é o que realmente aconteceu dentro da viatura descaracterizada usada pelos policiais no dia da tragédia. A outra é o porquê de Joselito não ser dominado pelos colegas quando fez o primeiro disparo que acertou o motorista na cabeça.

O suspeito estava no banco de trás, entre o borracheiro e o outro policial. Conforme policiais militares que o prenderam, Joselito foi tirado do carro muito embriagado e sem condições de ficar em pé. Familiares dele revelaram aos advogados que o policial é alcoólatra e usuário de droga.

O auto de flagrante do tenente já foi encaminhado para a 3ª Vara do Tribunal do Júri, com um pedido de habeas corpus, porém foi indeferido pelo juiz plantonista da Vara. O inquérito policial também foi encaminhado para a Unidade de Apurações Infracionais Penais (UAIP), na Delegacia-Geral.
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