Carlos Jasso
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, determinou o fechamento da fronteira com o Brasil a partir das 21 horas desta sexta-feira, com extensão da medida até as 6 horas da próxima segunda-feira. O GLOBO confirmou a informação com o Itamaraty, que consultou a Embaixada do Brasil em Caracas.

A Venezuela vai às urnas neste domingo para uma eleição presidencial. Maduro tenta se manter no cargo, e, ao que tudo indica, será reeleito.

A medida extrema de fechar a fronteira já foi adotada pelo chavista em outras eleições, segundo fontes consultadas pela reportagem. A mesma ação foi adotada sem um contexto eleitoral, como nos últimos dias de 2016 e primeiros dias de 2017. Na ocasião, Maduro argumentou que a medida era necessária para garantir a circulação de notas de 100 bolívares, uma vez que, na visão do presidente, o país sofria um “ataque econômico” contra sua moeda.

As eleições presidenciais na Venezuela vêm sendo acompanhadas sob forte desconfiança internacional. Países e entidades apontam risco de fraude e um favoritismo de Maduro neste contexto.

O governo brasileiro e entidades de apoio a venezuelanos que migraram para o Brasil já foram comunicadas sobre o fechamento da fronteira. O governo venezuelano, ao fazer esse comunicado, não apresentou as justificativas para a medida, embora seja óbvia a relação com a eleição presidencial.

Venezuelanos que estão em áreas fronteiriças no Brasil não votarão. A Venezuela não disponibilizou urnas e cédulas a esses eleitores, majoritariamente contrários a Maduro, a quem atribuem a culpa pela crise econômica e pelo consequente fluxo migratório.

VIZINHOS QUEREM QUE VENEZUELA ACEITE AJUDA HUMANITÁRIA

Formado por vários países do hemisfério, incluindo o Brasil, os países do Grupo de Lima divulgaram uma carta, na noite desta sexta-feira, rebatendo a declaração de Maduro de que na Venezuela não há crise migratória. Segundo o comunicado, a deterioração da situação econômica, social e humanitária naquele país tem provocado, nos últimos dois anos, um aumento massivo da migração venezuelana, impactando especialmente os países da região.

"Ainda que a maioria dos migrantes venezuelanos se dirijam inicialmente aos países vizinhos, verificou-se também um aumento importante na migração de trânsito nesses países para chegar a outros destinos", diz um trecho da nota.

Segundo o Grupo de Lima, os números oficiais mostram que, entre 2017 e 2018, migraram para a Argentina aproximadamente 82 mil venezuelanos; para o Brasil, aproximadamente 50 mil; para a Colômbia, 800 mil; para o Chile, mais de 160 mil; para a Guatemala, 15.650; para o México, 65.784; para o Panamá, 65.415; para o Paraguai, 2.893; e para o Peru, 298.559.

De acordo com o comunicado, esses números são consistentes com as estimativas realizadas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), que assinalam, respectivamente, que entre 1,5 milhão e 1,6 milhão de venezuelanos teriam abandonado seu país até o fim de 2017.

"Isso tem gerado uma série de desafios para os países receptores, em diferentes âmbitos, como o humanitário e sanitário, incluindo a desnutrição e o reaparecimento de doenças que já haviam sido erradicadas ou controladas. Do mesmo modo, a capacidade para prestar serviços básicos, como o acesso à educação e a proteção de crianças e adolescentes, entre outros, enfrenta sérios desafios".

Os países do grupo reiteraram o apelo feito a Maduro para que possam prestar assistência e proteção aos venezuelanos que permanecem na Venezuela. A ideia é dar apoio, via ajuda humanitária que Caracas vem se negando a receber.

"Da mesma forma, fazemos um apelo à Venezuela para que estabeleça, com urgência, um sistema de intercâmbio de informações epidemiológicas com os países vizinhos, a fim de coordenar esforços para a contenção de doenças, sobretudo nas zonas de fronteira", diz a carta.
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