Por G1 RR, Boa Vista

Imigrantes tem dificuldade para votar eleição presidencial no Consultado da Venezuela em Boa Vista (Foto: Rede Amazônica Roraima/Reprodução)

A eleição presidencial na Venezuela teve início às 6h (7h de Brasília) de domingo (20), mas em Roraima, estado que vive uma invasão de estrangeiros que fogem da crise econômica e social no país vizinho, a movimentação é baixa no Consulado da Venezuela em Boa Vista para votar. Mas as condições para participar desanimaram muitos imigrantes.

De um lado Nicolás Maduro, do outro a oposição, mas também a apreensão. E esse receio envolve a falta de adversários de peso e a abstenção, que podem favorecer o atual presidente venezuelano. Se ganhar, Maduro se mantém por mais seis anos no poder.

Para participar da eleição, o venezuelano deve apresentar um comprovante de residência permanente no Brasil e ser cadastrado no Consulado da Venezuela em Roraima. De acordo com o órgão, são esperados 50 imigrantes cadastrados com direito a voto em Boa Vista.

Desde que foram abertas as votações, pequenos grupos de três a seis pessoas comparecem esporadicamente ao Consulado para exercer o voto, mas nem todos conseguem. Uma das primeiras a chegar no local de votação em Boa Vista, Maria Velasquez, que está há seis meses no Brasil, diz que o sentimento é de tristeza.

"Só queremos voltar para a Venezuela. Se tiver a chance eu voltaria. Meu governo é horrível. É deprimente. Se não fosse Maduro não estaríamos migrando para outros países", desabafa.

Imigrantes venezuelanos comercializam produtos em dia de eleição presidencial na Venezuela (Foto: Diogo Menezes / G1 RR)

Ela, que trabalha como cabeleireira para enviar dinheiro aos dois filhos, pais e irmão que continuam na Venezuela, diz que não conseguiu votar na eleição presidencial porque só possui documento de refúgio e não de permanência temporária.

Dentro das proporções de venezuelanos vivendo em Boa Vista, a procura é baixa. Na capital de Roraima vivem cerca de 40 mil imigrantes. Muitos deles optaram por não votar e seguem suas rotinas como se a data não expressasse nenhuma possibilidade de mudança no país natal.

Nas avenidas, alguns deles são vistos pedindo esmola, comercializando produtos para carro, casa e doces para sobreviver.

Há cinco dias em Boa Vista, os vizinhos venezuelanos da cidade de Porto La Cruz, distante aproximadamente 330 Km de Caracas, Joel Diaz e Daniel Marques buscam recursos para seguir viagem ao Peru. Lá eles dizem ter emprego e moradia garantidos por familiares que já deixaram o país governado por Nicolás Maduro.

Para Joel, de 32 anos, os candidatos de oposição não são expressivos e, mesmo que um deles vença as eleições, não acredita que chegue ao poder. “O Maduro não vai deixar. Tudo vai continuar como está”, conta.
Venezuelanos se acomodam em frente a pontos comerciais de Boa Vista (Foto: Diogo Menezes / G1 RR)

Por enquanto eles vivem nas ruas e sobrevivem vendendo doces nas principais avenidas da capital roraimense como a Ville Roy e das Av. das Guinas. Mas a falta de oportunidades é o maior desafio. E eles sabem o motivo. O grande volume de imigrantes nas ruas impressiona os brasileiros e também dificulta a procura por emprego.

Daniel Marques conta que precisa arrecadar R$ 600 para ir ao Peru, mas não consegue trabalho. Há muitos estrangeiros, entre eles, criminosos e isso assusta a população. “Ontem mesmo um venezuelano roubou uma das minhas bolsas. Eram roupas e doces que compro para revender, mas levaram”, lamenta.

Acompanhados de outros três amigos, eles levaram cinco dias para virem de Porto La Cruz para Boa Vista. Mas sem ter onde ficar, vivem de ajuda e esperança por conseguir recursos. “Se eu trabalhar apenas um mês terei dinheiro suficiente para ir ao Peru, onde tenho família e amigos que já me esperam. Lá tenho emprego garantido”, explica Joel Diaz.

Fechamento da fronteira

Fronteira também foi fechada para pedestres desde às 10h deste sábado (19) e segue até às 6h de segunda (21) (Foto: Emily Costa/G1 RR)

No sábado (19) a fronteira entre Brasil e Venezuela foi fechada para que as Forças Armadas Venezuelanas pudessem resguardar a soberania territorial do país. Mas tamanha é a crise que centenas de estrangeiros se arriscam em rotas alternativas para entrar em Roraima para comprar alimentos e medicamentos.

Em Boa Vista existem oito abrigos para imigrantes. Mas apesar do grande e crescente número, eles ainda não são suficientes para atender toda procura. Por isso, centenas de estrangeiros dormem nas ruas e em frente a aos próprios abrigos na esperança de conseguir uma vaga.

De acordo com o Itamaraty, a fronteira entre os dois paises deve ser reaberta às 6h desta segunda-feira (21).

Transferência de imigrantes

Voo levando 29 venezuelanos decolou de Boa Vista na manhã desta terça--feira (15) (Foto: Divulgação/Casa Civil )

No processo conhecido como "interiorização", o governo federal executou quatro vôos de transferência de imigrantes para outros estados do país com o intuito de amenizar os impactos da invasão venezuelana a Roraima.

No primeiro deles, no dia 5 de abril, 116 estrangeiros foram levados de Boa Vista para São Paulo. No dia seguinte, outros 163 imigrantes foram transferidos para Cuiabá e novamente São Paulo.

Na segunda fase do processo de interiorização (terceiro voo), logo no início de maio, 233 venezuelanos foram encaminhados ao Amazonas e São Paulo. O último deles ocorreu dia 15, onde 29 imigrantes foram transferidos para Cuiabá.

Foto: Diogo Menezes / G1 RR
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