Os locais de votação para as eleições presidenciais venezuelanas abriram as portas neste domingo (20), anunciou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em um pleito no qual o presidente Nicolás Maduro busca um segundo mandato, até 2025, apesar da grave crise econômica.

Os centros de votação permanecerão abertos das 6H00 locais (7H00 de Brasília) até as 18H00 (19H00 de Brasília), mas o CNE - ligado ao governo - tem o hábito de ampliar o horário quando eleitores continuam na fila ao final do horário oficial. O presidente chegou pouco antes das 6H00 ao colégio Miguel Antonio Caro, em Caracas, ao lado da esposa, Cilia Flores, e de vários colaboradores.

"Fui o primeiro votante da pátria (...) sempre em primeiro nas batalhas pela nossa soberania, pelo direito à paz", declarou o líder chavista em entrevista coletiva depois de emitir seu voto. "Que ninguém perca este dia histórico (...) cuidemos todos dos centros eleitorais, cuidemos para que tudo aconteça em paz (...) digo a todos os venezuelanos: o seu voto decide, votos ou balas, pátria ou colônia, paz ou violência, independência ou subordinação", bradou.

Quase 20,5 milhões dos 30,6 milhões de venezuelanos estão registrados para votar, em apenas um turno, na eleição em que Maduro tem como principal rival o opositor e dissidente do chavismo Henri Falcón.

As eleições que acontecem tradicionalmente em dezembro foram antecipadas pelo governo. O atual presidente Nicólas Maduro é o favorito, apesar da reprovação de 75% dos venezuelanos a sua gestão. De acordo com analistas, ele beneficia do controle social e institucional - incluindo o militar -, da divisão da oposição.

Ex-militar e ex-governador do estado de Lara (noroeste), Falcón ignorou a ordem da coalizão de partidos Mesa da Unidade Democrática (MUD), que defende a abstenção por considerar que a votação é uma "farsa" e que a vitória de Maduro já está asse

Antecipada pela Assembleia Constituinte, a eleição acontece em meio a uma grave crise econômica, que provoca escassez de alimentos, remédios e produtos básicos. De acordo com o FMI, a inflação no país deve chegar a 13.800% em 2018.

A empresa de pesquisas Datanálisis aponta um empate técnico entre Maduro e Falcón. A Delphos mostra 43% para o presidente e 24% para o ex-chavista, enquanto a Hinterlaces aponta 52% para Maduro, contra 22% para o ex-governador. O terceiro candidato, o pastor evangélico Javier Bertucci, aparece com quase 20%.

Expectativa de abstenção elevada

Analistas consideram que uma abstenção elevada favorecerá a vitória de Maduro, porque ele mantém uma base de apoio em grande parte pela lealdade ao falecido líder socialista Hugo Chávez e a dependência de programas sociais e clientelistas. A presidente do poder eleitoral, Tibisay Lucena, descartou neste sábado (19) o pagamento de bônus econômicos aos eleitores durante a votação, depois que Maduro anunciou que avaliaria a possibilidade de "premiar" aqueles que forem às urnas.

Entre a oposição, reina a divisão e o desânimo. O analista Luis Vicente León critica o apelo da MUD por uma abstenção, mas sem explicar o que fará depois. A oposição anunciou que pressionará por "verdadeiras eleições" após o domingo. Centenas de milhares deixaram o país durante o governo de Maduro.

Sob o lema "Fora Maduro", venezuelanos que moram em várias cidades ao redor do mundo pretendem organizar protestos contra a votação, anunciaram dirigentes da MUD. O governo venezuelano nunca esteve mais isolado. União Europeia (UE), Estados Unidos e vários países da América Latina não reconhecerão os resultados porque consideram que a eleição não deu garantias à oposição e não será livre nem democrática.

(Com agências internacionais)
Postagem Anterior Próxima Postagem
O Amazonense