O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), possível candidato à presidência do Brasil em 2018, admitiu em um programa de rádio nesta terça-feira, 23, o recebimento de propina do grupo JBS, envolvido em um grande esquema de corrupção revelado nos últimos dias. No entanto, garantiu que a propina não foi para ele, e sim para o seu ex-partido.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o político conservador confessou que, durante a campanha eleitoral de 2014, ele recebeu, pelo seu partido na época, o PP, a quantia de R$ 200 mil oriundos da JBS, empresa que pagou 1,4 bilhão em propinas a 28 partidos do país, mas devolveu o dinheiro ao partido antes de receber a mesma quantia de volta.

"Começaram as eleições de 2014. Me liga o presidente do meu partido [Ciro Nogueira, na época] e diz que vai botar R$ 300 mil na minha conta. Disse que tudo bem, mas que colocasse R$ 200 mil na minha conta e R$ 100 mil na do meu filho. Quando vi o nome da Friboi, perguntei se queriam extornar. Falei que ia para a Câmara dos Deputados, ia jogar R$ 200 mil e dizer que é dinheiro do povo, porque foi dinheiro que pegaram do PT para se coligar com o meu partido", disse o deputado à Jovem Pan.

Logo depois de receber o dinheiro da JBS através do diretório nacional do PP, Bolsonaro devolveu o valor para o partido para, em seguida, recebê-lo de volta na forma de repasse do fundo partidário, sem o registro do nome da empresa como doador originário.


REPRODUÇÃO
Prestação de contas da campanha eleitoral do deputado Jair Bolsonaro em 2014

"Eu aceito do fundo partidário", disse o parlamentar, explicando que, embora o valor fosse o mesmo, o dinheiro não foi o mesmo e a doação da empresa foi utilizada na campanha de outro político do partido.

SPK
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