O Complexo Prisional Anísio Jobim (Compaj) é o presídio brasileiro com o maior número de armas brancas apreendidas, com um total de 621 peças, o que representa 14,8% do total, de 4.203 armas brancas apreendidas em 13 presídios de cinco Estados do País, desde o início do ano. Os dados são do balanço inédito feito a partir das ações das Forças Armadas, após os massacres que deixaram mais de 130 mortos em apenas 15 dias.
Segundo o balanço, foi apreendido uma arma branca para cada três presos. Somente uma arma de fogo, de fabricação caseira, foi encontrada. Os militares apreenderam ainda 316 celulares, 163 chips e 238 acessórios de telefone (como fone de ouvido e carregador). Trouxas (92) e tabletes (18) de drogas, dois rádios transmissores, 66 televisores e 83 antenas improvisadas também foram localizados nas varreduras, além de 40 fogões ou fogareiros improvisados e três botijões de gás.
Raul Jungmann, ministro da Defesa, afirmou ao jornal Globo que a quantidade e a diversidade de material encontrado dentro das cadeias mostra um conluio tácito (cumplicidade implícita) entre o poder público e as organizações criminosas, baseado na “corrupção institucionalizada”.
“A existência de armas e a superlotação apontam para a possibilidade de novas carnificinas, produzidas também pela corrupção institucionalizada. Não é possível entrar tudo isso sem que haja corrupção”, afirma Jungmann.

Recordes
No Compaj, 56 detentos foram mortos e, no local, foram apreendidas 621 armas brancas, como faca, estoques, entre outras. Isso representa 14,8% da apreensões de armas brancas apreendidas no País.
A unidade campeã de celulares recolhidos, com 18,4% dos 316 aparelhos apreendidos, foi o presídio de segurança máxima Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande. Em unidades com bloqueador de celular, militares encontraram dois rádios transmissores.
Para Jungmann, além do cerco à entrada dos aparelhos de comunicação, é preciso criar leis que dificultem a transmissão de recados dos detentos para o mundo externo.
O Estado com mais presídios fiscalizados foi o Rio Grande do Norte. Além da unidade de Alcaçuz, na Região Metropolitana de Natal, palco de um massacre em janeiro passado, quatro cadeias passaram pela inspeção. Em segundo lugar vem Rondônia, com três estabelecimentos vistoriados. Mato Grosso do Sul e Amazonas tiveram, cada um, duas cadeias contempladas, e Roraima, uma.
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